Estação Poética

13.11.06

Nordestino

O Nordestino




A paisagem árida
surpreende o homem do campo.
Sobrancelhas densas
arqueiam o olhar de espanto.
Tudo nele é seco, imóvel e vago.
O nariz divide os flancos em direção
à boca rija, cerrada – como a esconder
o discurso solitário do nordestino.
A barba crespa denuncia a
vida rústica e teimosa curtida de sol,
disfarçada no acanhado
chapéu de palha.

10.11.06

Comboio

Comboio



Vai o comboio
a deslizar nos trilhos,
e dos vagões vejo a
paisagem como
um verso novo.

Vai o comboio
a serpentear caminhos,
e a visão lá fora,
nem alegre, nem triste,
repete apenas as estações.

Mar-absinto

Preciso ver para lembrar...
As montanhas, os mares, o espaço, tudo me fascina,
mas só o que respira me faz sentir.
O meu coração árido é um mar-absinto.